Fonte: Gazeta Digital, créditos da imagem: Divulgação
Uma ex-servidora da Secretaria de Trabalho de Cuiabá acusa o secretário e ex-chefe de gabinete do prefeito Abilio Brunini (PL), Willian Leite, de assédio sexual. O crime teria ocorrido ainda no ano passado, mas o boletim de ocorrência foi registrado nesta sexta-feira (6). Após a denúncia, o servidor pediu exoneração do cargo.
Além desta acusação, Willian Leite também é alvo de um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), protocolado pelo vereador Daniel Monteiro (Republicanos), que está em fase de coleta de assinaturas. Ainda na manhã desta sexta-feira, o prefeito afirmou que as acusações contra o chefe de gabinete não passam de “boatos” e que a CPI seria infundada.
Segundo o boletim obtido pelo GD, a mulher relata que, ainda em 2025, recebeu uma ligação com o convite para integrar a equipe da gestão municipal. Contente com o chamado, ela aceitou e passou a trabalhar diretamente com o acusado, seu superior imediato.
Logo nos primeiros dias, a conduta do homem mostrou-se incômoda. A insistência em conversas e o contato físico eram recorrentes, assim como os convites para “permanecer a sós” em outros locais. A orientação era para que a jovem não permitisse a entrada de outras pessoas em sua sala, nem conversasse ou mantivesse contatos externos, configurando uma situação de total isolamento.
Em certa ocasião, a jovem enfrentou problemas em sua conta bancária e, estando com dinheiro em espécie, pediu que o chefe transferisse o valor para outra conta enquanto ela lhe entregaria as cédulas. Contudo, o valor transferido foi maior do que o combinado. Ao questioná-lo, a servidora foi orientada a utilizar o montante excedente para despesas “solicitadas” por ele. A conta de origem pertencia a uma empresa de comunicação e publicidade.
Houve também um conflito devido ao suposto sumiço de um pen drive, motivo pelo qual Leite ligou gritando com a servidora. Posteriormente, confirmou-se que o objeto estava na casa dele. Além disso, pessoas do entorno diziam à vítima: “vocês só estão aqui por serem bonitas, caso contrário não teriam sido nomeadas pelo Willian”, o que gerava uma situação vexatória.
No boletim, a jovem relata que levou o caso ao secretário de Governo, Ananias Filho, que solicitou sua realocação para outro setor. Porém, antes que a mudança se efetivasse, o acusado tentou beijá-la à força. Este episódio foi o estopim para que ela pedisse demissão do cargo. No documento policial, a mulher afirma que teve medo de denunciar na época, mas que se encorajou agora diante da queixa de outras vítimas do então secretário.
Após a repercussão do pedido de CPI e da queixa de assédio, Willian Leite pediu exoneração. A saída foi confirmada em nota pela Prefeitura de Cuiabá, que não comentou a denúncia de crime sexual.
Nota na íntegra
A Prefeitura de Cuiabá confirma que William Leite de Campos solicitou exoneração do cargo de secretário municipal de Trabalho. O pedido foi formalizado nesta sexta-feira (6), por decisão pessoal, deixando de integrar o quadro da gestão municipal a partir desta data.
Em comunicado encaminhado à Secretaria Municipal de Governo, William informou que a decisão ocorre por motivos pessoais e registrou agradecimento ao prefeito Abilio Brunini, aos colaboradores e aos servidores pelo período em que esteve à frente da pasta.
Em nota, o ex-secretário afirma que manifestações e denúncias envolvendo seu nome foram analisadas por órgãos competentes como o Ministério Público e a Polícia Civil, através da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção, e em ambos foi determinado o arquivamento por ausência de fatos concretos. Declara ainda que pediu exoneração como medida de preservação pessoal e familiar.
A Prefeitura, por sua vez, reforça o compromisso institucional com a ética, o respeito e a integridade no ambiente de trabalho.

