23 - sexta-feira, outubro, 2026

Casarão centenário na São Joaquim é vendido e demolido; ‘Não podemos deixar de lamentar’

Fonte: Gazeta Digital, créditos da imagem: Francisco das Chagas Rocha

Um casarão histórico de cerca de 150 anos, na Rua São Joaquim, no Bairro Porto, começou a ser demolido na tarde de quinta (22), logo após a venda. O imóvel centenário não era tombado pelas instituições responsáveis, fato que gerou indignação da população e de especialistas.

Francisco das Chagas Rocha, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT), relata que soube da demolição ao passar pela redondeza no período da tarde.

O historiador conta que a residência foi construída pelo coronel José Antônio de Souza Albuquerque, conhecido como Coronel Juca de Albuquerque, prefeito de Cuiabá por três mandatos. Casado com Maria da Glória Albernaz, juntos tiveram 18 filhos.

 

“Esse imóvel pertencia à família Albuquerque. É um casarão que tinha mais de 100 anos. A rua da casa é cheia de mangueiras, plantadas pelos donos da casa em 1913. Só as mangueiras têm 113 anos. A casa já existia”.

Após o falecimento do ex-prefeito e de sua esposa, o casarão ficou aos cuidados da filha Clarice Albernaz de Albuquerque, que viveu no local por muitos anos, sendo a última moradora.

Os herdeiros de Clarice, após sua morte, venderam a residência a um casal que planejava restaurar a casa centenária e possuía uma conta no Instagram documentando o processo. “Iriam restaurar o casarão. Era uma alegria imensa, postavam todos os dias as descobertas, mas agora eles venderam para outra pessoa, que está demolindo”, diz Francisco.

O historiador conta que o imóvel não foi tombado porque estava fora do perímetro do patrimônio histórico. “Se a prefeitura achar que um imóvel tem uma beleza arquitetônica que deve ser preservada para as futuras gerações, eles podem montar um documento e fazer o tombamento”, alegou o historiador.

Em publicação no Facebook, Francisco lamentou. “Cuiabá perde mais um pedaço de sua história. E nós, que acreditamos no valor da memória, não podemos deixar de lamentar”, finaliza.

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