Fonte: Gazeta Digital, créditos da imagem: Reprodução
Com quase 60 mil indígenas vivendo em seu território, Mato Grosso está longe de possuir a mínima representatividade indígena na política que se espera do estado que mais concentra povos originários no país. A construção de espaços de poder mais plurais e inclusivos, no entanto, vem melhorando, conforme resultado nas últimas eleições.
Dos 241 vereadores eleitos nos pleitos municipais de 2024, Mato Grosso elegeu 12 desses parlamentares. Contudo, o estado mato-grossense obteve número inferior a pelo menos cinco federações, dentre elas seu estado vizinho, Mato Grosso do Sul, que registrou 15 eleitos.
Amazonas, Paraíba, Pernambuco e Bahia também tiveram quantidade de vereadores indígenas superior ao MT, que também não obteve registros de prefeitos ou vice-prefeitos.
Isac Kinkin Zoró (MDB) foi um dos vereadores eleitos em 2024, e compõe a Câmara Municipal de Rondolândia. Nascido em Aripuanã, o parlamentar acredita que o preconceito está entre as maiores dificuldades para se eleger sendo indígena e conta que decidiu entrar na política não por escolha de conforto, mas como uma necessidade de ajudar seu povo.
‘As pessoas ainda duvidam da capacidade de um indígena ocupar espaços de poder. Além disso, temos menos acesso a recursos, apoio político e visibilidade. A estrutura não foi pensada para nós, então precisamos trabalhar o dobro para sermos ouvidos. Sempre vi meu povo sendo afetado por decisões tomadas sem a nossa participação, e a política foi o caminho que encontrei para transformar a luta em decisão e resultado’, explica Isac.
