Fonte: Gazeta Digital, créditos da imagem: Femina
Cuiabá registra baixa cobertura vacinal entre crianças de até um ano e não atinge a meta mínima de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde para o Calendário Nacional de Imunização do Sistema Único de Saúde. A situação mais crítica é da vacina contra varicela (catapora), com apenas 64,62% de cobertura, seguida por febre amarela (75,63%) e tríplice viral (78,97%), acendendo alerta para o risco de reintrodução de doenças preveníveis na capital. Além dessas, segue também com baixa taxa de cobertura vacinal a Hepatite A (81,55%), seguida do Rotavírus (81,69%), BCG (83,22%), Pentavalente (83,91%), Pneumo 10 (84,68%), Pólio Injetável (85,10%) e Meningo C (85,24%).
Pediatra e presidente da Sociedade Mato-grossense de Pediatria, Paula Gattass Bumlai explica que o cenário é de preocupação. Atingir a meta é primordial para acontecer o bloqueio epidemiológico das doenças com alta taxa de mortalidade e de letalidade.
Segundo ela, todas essas vacinas que têm na rede pelo Programa Nacional de Imunização foram definidas por conta de doenças epidemiologicamente importantes, que aconteciam em grande parte da população e que levavam a comorbidades, internação, necessidade de UTI, complicações neurológicas e respiratórias e até a morte. Então, a importância da vacinação é para bloquear a circulação tanto do vírus, como das bactérias. Manter a vacina em dia é justamente para evitar que essas doenças graves acometam a saúde das crianças, pois todas são passíveis de complicações, risco à vida e até sequelas, médias ou graves.
Paula explica que o desafio para atingir a meta é grande não só em Cuiabá, mas em outras regiões, e para a melhoria da cobertura são adotadas estratégias por meio do número de pontos de vacinação, da quantidade de vacinas e de profissionais capacitados. Mas, na contramão das estratégias, ela pontua que o movimento antivacina, iniciado principalmente desde a pandemia do covid-19, é um fator determinante que influência negativamente a população. Muitas pessoas não acreditam na credibilidade e na eficácia das vacinas e, infelizmente, isso reflete nas baixas taxas de cobertura. A ideia que os imunizantes causam efeitos colaterais também é um fator negativo, pois na verdade é ao contrário, as vacinas são seguras e são indicadas para determinadas faixas etárias, necessitando de um ciclo, às vezes de uma, duas ou três doses, além da dose de reforço. O ideal é que toda a população se vacine”.
